segunda-feira, 20 de abril de 2009

Um jogo para a história: Inter faz 8 a 1 no Caxias e é bicampeão gaúcho invicto

Sobre o jogo, pode chamar de chocolate, de massacre, de passeio, de humilhação. Sobre a equipe, vale dizer que atuou como máquina, carrossel, um timaço de embasbacar. O Inter, no ano de seu centenário, fez história. O bicampeonato gaúcho, com a conquista da Taça Fábio Koff, saiu na tarde deste domingo, no Beira-Rio, com uma goleada impressionante sobre o Caxias: 8 a 1, placar idêntico ao da final do ano passado, contra o Juventude. O primeiro título do novo século de vida do clube colorado consolida a imagem de uma equipe que, em algumas ocasiões, parece ser de outro mundo. O Inter conquistou o Gauchão de forma invicta. Atenção aos números: em 21 jogos, 18 vitórias e apenas três empates. É o 39º Gauchão conquistado pelo Inter, que abre vantagem de quatro canecos sobre o Grêmio. O novo título foi fruto de uma atuação perfeita, para lembrar o rolo compressor, os heróis dos anos 70, os campeões mundiais de 2006. O primeiro tempo virou 7 a 0. Sim, é isso mesmo: o primeiro tempo, só os 45 minutos iniciais, terminou 7 a 0! Agora, o Inter parte para objetivos maiores. Na quarta-feira, tem jogo contra o Guarani pela Copa do Brasil. A classificação às oitavas-de-final está encaminhada. E depois vem o Campeonato Brasileiro, sonho vermelho desde a conquista de 1979. Por mais que o Gauchão não seja parâmetro, o time de 2009 parece pronto para entrar no Nacional mais forte do que jamais aconteceu em sua história. A ressalva é que no ano passado a equipe então comandada por Abel Braga tinha dado a mesma impressão. E não comprovou depois. Um primeiro tempo para jamais esquecer Quando o árbitro Leandro Vuaden encerrou o primeiro tempo, o goleiro Rafael, do Caxias, caminhou lentamente até o vestiário. Nos olhos, lágrimas. Ele não acreditava que havia levado sete gols em 45 minutos. O Inter destruiu com o adversário na etapa inicial por dois motivos. Primeiro, pela qualidade de jogadores como D’Alessandro, Taison, Nilmar, Magrão e Guiñazu, todos em excelente tarde. Segundo, porque lutou sempre. Mordeu a cada minuto, disputou todas as bolas, jogou como se estivesse em uma decisão de Mundial. Foi um time perfeito, o extremo oposto do Caxias, que parecia amador. O primeiro gol saiu com seis minutos. D’Alessandro, na ponta direita, mandou a bola na cabeça de Magrão, que completou para a rede. A vantagem era o primeiro sinal de que o título sairia fácil, fácil. O Inter jogava por música, colocava o Caxias na roda, em uma prévia daquilo que comprovaria no placar. Taison, artilheiro e craque do Gauchão, fez o segundo. A jogada, como de costume, passou por D’Alessandro, que fez a bola viajar de uma ponta para a outra do campo, até os pés de Kleber. O lateral mandou na área para o guri concluir: 2 a 0. Eram 15 minutos. Com mais três, saiu outro gol. Bolívar acionou Nilmar em profundidade. O atacante mandou no canto de Rafael: 3 a 0. Ele mal teve tempo de comemorar e respirar até fazer mais um. D’Alessandro lançou a bola na área, a zaga cortou e o camisa 9 completou. Com 22 minutos, já era goleada. Em uma tarde perfeita para os colorados, até Guiñazu, ídolo máximo da galera, fez gol. Ele recebeu em profundidade e desviou do goleiro. O Beira-Rio explodiu em euforia, aplausos e gritos de incentivo para o argentino. Todos os jogadores correram para vibrar com o capitão do time, que raramente chuta a gol. O detalhe é que, poucos minutos depois, com o placar de 5 a 0, lá estava o carequinha na linha de fundo defensiva caçando um adversário, dando carrinho, evitando o ataque adversário. O gol mais bonito foi de Magrão, o melhor jogador em campo. O volante recebeu na entrada da área, viu o goleiro adiantado e deu um toquezinho leve, por baixo da bola, em lance de craque. Ela entrou no ângulo. Golaço. 6 a 0 no placar. O resultado ficaria ainda mais absurdo. Aos 43 minutos, Taison fez fila na zaga e ficou pronto para marcar. Mas aí ele olhou para o lado e viu o amigo D’Alessandro livre. O argentino recebeu e concluiu sem problemas para fazer 7 a 0.

Aplausos para o Caxias

Com o título assegurado, o Inter acalmou o jogo no segundo tempo. Seguiu com o controle total, mas se tornou menos agudo. O Caxias, sem o pavor de antes, conseguiu ir para o ataque e até fez gol. O colombiano Cristian Borja, primo do ex-colorado Rentería, fez linda jogada pela ponta esquerda, tocou a bola entre as pernas de Índio, tabelou e mandou para o gol. Ele foi prontamente aplaudido pelos colorados.
Tite mexeu no time. Mandou a campo três jogadores importantes na campanha do título invicto. O atacante Alecsandro, o meia Andrezinho e o lateral-esquerdo Marcelo Cordeiro entraram nas vagas de D’Alessandro, Nilmar e Magrão, respectivamente. Conforme passava o tempo, a torcida fazia a contagem regressiva para a festa. O Inter seguiu tocando a bola, deixando os ponteiros do relógio correrem. Mas faltava o gol no segundo tempo. Ele ele veio aos 43: cruzamento de Kléber e cabeçada de Álvaro. O primeiro título do novo século de vida do Inter estava assegurado em uma tarde histórica.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Gigante! Em todos os sentidos।
No início do século passado, mais precisamente no ano de 1909, em 4 de abril, os irmãos Poppe, recém chegados de São Paulo à Porto Alegre e ali estabelecidos como comerciantes, realizaram uma reunião com estudantes e comerciários। O motivo daquela reunião era o desejo de praticar algum esporte, preferencialmente o futebol e a impossibilidade de serem acolhidos como membros por um dos clubes existentes na época, em Porto Alegre, pois a justificativa de que por se tratar de pessoas recém chegadas na cidade e por não serem conhecidos, não pareceu suficientemente razoável, numa época em que somente as pessoas de origem germânica eram admitidas em clubes como o Grêmio e o Fussball Porto Alegre।


O resultado dessa reunião entre comerciários e estudantes, liderada pelos irmãos Poppe, foi o nascimento de um clube, no qual todas as pessoas, independentemente de origem, raça ou status social, um clube de todos, onde todos poderiam jogar. Escreveram, com isso, uma das mais belas páginas da historio do Desporto, que nosso país já viu. Senão a mais bela, pois sua primeira página inicia com “D” de Democracia, palavra cujo significado mais aprimorado e efetivo nosso pais veio conhecer apenas no final da década de 80, com a conquista do voto direto e sufrágio universal e com a promulgação da Constituição Cidadã de 1988. Mal sabiam aqueles jovens que desse ato de inconformismo deles nascia um verdadeiro gigante, o Sport Club Internacional.

Obviamente, esse gigante nasceu pequeno, seu crescimento se deu aos poucos. Da sala emprestada na Avenida Redenção, número 141 (atual número 1025 da Av. João Pessoa), do campinho da Ilhota, onde iniciaram os primeiros treinos, ainda no mês de sua fundação, para os Eucaliptos em 1931; dos primeiros nove meses de derrotas, iniciando-se pelo fatidico 10 x 0 sofridos na primeiro clássico Grenal em 18 de julho de 1909 (sem esquecer que o rival já tinha seis anos de experiência), ao primeiro empate em 07 de setembro de 1909 contra o Militar Football Club, e a primeira vitória por 2 x 1 contra o mesmo adversário, em 12 de outubro daquele ano, e o primeiro título em 1913, como Campeão Metropolitano, de forma invicta. Do Rolo Compressor na década de 40, que para muitos foi o melhor time de futebol que já se viu, e da fundação do Gigante da Beira-Rio em 1969, ao octacampeonato gaúcho (69-76) e ao Campeonato Brasileiro de 1975, o primeiro conquistado por uma equipe gaúcha, do Bi de 1976 e do Campeonato Brasileiro Invicto de 1979, feito que até hoje não foi igualado por nenhum outro time brasileiro, estes já anos de glória!

Um gigante que nas décadas de 80 e 90 parecia ter adormecido, e com seu aparente sono, trouxe aos seus fãs e torcedores amargas doses de sofrimento, por vezes amenizadas com o Tetracampeonato Gaúcho (1981-1984), o Troféu Joan Gamper (vencendo o Barcelona e o Manchester City), pela Copa do Brasil de 1992 e pelos estaduais de 1991, 1992,1994 e 1997. Décadas que embora façam parte de sua história, muitos desejariam não ter vivido. Mas, o gigante cruzou as fronteiras e conquistou tudo o que havia a ser conquistado, nossas recentes glórias, a Taça Libertadores da América e do Mundial FIFA Interclubes de 2006; à conquista da Recopa Sul-Americana de 2007, recebendo a inédita Tríplice Coroa Internacional; à Copa Dubai e Copa Sul-Americana em 2008, tornando-o verdadeiramente GIGANTE, o único campeão de tudo conquistando todos os campeonatos oficiais que um clube da América do Sul pode almejar.

E não foram só títulos, com estes conquistou novos associados, hoje são mais de 80 mil, que fazem deste Gigante um dos maiores clubes do mundo, que possui representação por consulados, associações e confrarias em todo o país e no exterior, e que no último dia quatro de abril completou um século de história numa comemoração nunca antes vista. Uma festa sem precedentes, com direito a caminhada com mais de 35 mil colorados pelas ruas de Porto Alegre, almoços, jantares, festas e comemorações em cada uma das cidades onde o Sport Club Internacional possui consulado, associação ou confraria de torcedores, uma festa que rememorou a toda essa história, contada sinteticamente nessas breves linhas e com a presença dos seus mais ilustres protagonistas, na noite do último sábado, no Gigantinho.

Mas essa festa, por mais perfeita que fosse sua organização e seu planejamento, não estaria completa, se não fosse a cereja do bolo, ofertada pelo destino. Quisera o destino, ou o mau planejamento do co-irmão, que o Caxias impusesse ao Grêmio um placar de 4 x 0 na noite da quinta-feira 02 de abril de 2009, empurrando o arqui-rival para um confronto histórico em nossa casa, no final de semana das comemorações do nosso centenário.

E mais uma vez, o Inter foi Gigante. Nem o Garciba com uma visão um tanto míope conseguiu estragar a festa, pois Andrézinho e Índio, resolveram o jogo, com a colaboração dos incansáveis Guiñazu, Magrão e Sandro, e o toque todo especial de D’Alessandro. Uma virada espetacular, coroou o final de semana dos colorados e comemoramos mais uma vez, agora sim, por um c
apricho do destino em reservar um Grenal para o domingo do centenário, tornou nossa festa completa!



Everson Vargas
eversonvargas@gmail.com

domingo, 5 de abril de 2009

Os destaques do clássico 376



Sandro brilha no meio-campo
Em sua primeira temporada como titular, o volante Sandro talvez tenha feito no clássico Gre-Nal no Beira-Rio a sua melhor atuação com a camisa colorada. Com seu estilo moderno, marcou com precisão e mostrou velocidade e qualidade para a saída de bola. O garoto foi perfeito nos desarmes e ainda mostrou uma grande qualidade: o do arranque para o contra-ataque. Com suas passadas longas, deixou para trás os adversários em uma bela jogada, aos cinco minutos do segundo tempo.
Índio, o matador de imortais
E de repente Gre-Nal virou um programa de índio... Sim porque poucas vezes se viu na história do maior clássico do Rio Grande um jogador que decidisse tanto quanto o zagueirão Índio. Ele marcou o gol da virada colorada neste domingo e novamente decidiu o clássico. Agora já são cinco gols em clássicos.
E por falar em números, os do gol do Índio são históricos. Foi o seu 24º gol com a camisa colorada no seu 200º jogo pelo Clube. Foi ainda o 100º gol do Inter no 100º clássico no Beira-Rio. O Beira-Rio que comemora 40 anos nesta sexta-feira.
Bolívar, o invicto em clássicos
Bolívar não sabe o que é sair de um clássico derrotado. Já são 11 jogos com sete vitórias e quatro empates. O versátil defensor que pode jogar de zagueiro ou de lateral-direito foi mais uma vez seguro nos desarmes no clássico deste domingo.
Tite ganha de Roth mais uma vez
O técnico Tite mais uma vez venceu o seu duelo tático com Celso Roth. Curiosamente, Tite nunca perdeu um clássico para o companheiro de profissão, seja jogando no Inter ou no rival.
D´Alessandro entra e decide
O argentino D´Alessandro voltou ao time em grande estilo. Depois de ficar parado por lesão, o meia entrou aos 19min do segundo tempo no lugar de Andrezinho, que também foi muito bem, marcando inclusive o gol de empate. Pois D´Alessandro entrou e mostrou o seu grande talento mais uma vez. Foi dele o passe genial para Índio, no lance do segundo gol colorado.
Torcida faz grande festa na arquibancada
A torcida colorada no Beira-Rio viveu uma tarde de sonhos. Ironizou o rival, principalmente o seu técnico, empurrou o time e saiu do clássico fazendo grande festa e podendo observar a torcida do Grêmio em silêncio...
A ironia colorada teve um dos seus principais momentos quando o sistema de som anunciou o nome do técnico Celso Roth. Os mais de 40 mil colorados vibraram muito. Durante o jogo, os gritos de “Fica, Celso Roth”, também foram constantes.
Os cânticos colorados também foram emocionantes. Parece que a cada partida no Beira-Rio, mais e mais gente apóia e canta todas as músicas, em uma sinfonia vermelha.
Depois da partida, houve ainda os tradicionais “Adeus, Grêmio” e o “1, 2, 3, o Grêmio é freguês.
Invencibilidade em clássicos aumenta
Agora já são sete clássicos de invencibilidade. E mais: nos últimos quatro jogos, quatro vitórias. A rotina de superioridade em ainda três empates. A última derrota ocorreu há quase dois anos. E como o rival foi eliminado por antecipação do Gauchão, só haverá novo clássico em julho, durante o Brasileirão.
A supremacia colorada nos clássicos no Gauchão foi grande. Nos três jogos, três vitórias por 2 a 1. No primeiro, disputado em Erechim, D´Alessandro e Nilmar marcaram os gols. No Gre-Nal seguinte, Índio e Magrão fizeram os gols. E neste domingo, foi a vez de uma virada com gols de Andrezinho e novamente Índio.
Um final de semana inesquecível
O final de semana das comemorações do Centenário não vai sair da cabeça dos colorados por um bom tempo. Tudo começou com as festas de celebração dos 100 anos do Inter, na queima de foguetório da sexta-feira. Continuou no sábado com a caminhada espetacular que reuniu mais de 30 mil colorados nas ruas de Porto Alegre. Houve ainda a festa sensacional para mais de 3 mil convidados no Gigantinho. E a celebração encerrou com chave de ouro com a vitória no Gre-Nal e a eliminação do Grêmio.